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Introdução
A amortização negativa é uma das práticas mais gravosas encontradas em contratos bancários. Ela ocorre quando as parcelas pagas pelo devedor não conseguem sequer cobrir os juros do período, resultando em aumento contínuo do saldo devedor. Trata-se de um desequilíbrio contratual que, além de inviabilizar o adimplemento da obrigação, afronta princípios como a boa-fé objetiva e a função social do contrato. Por essa razão, a jurisprudência vem reconhecendo a nulidade de contratos em que há amortização negativa sistemática.
O objetivo deste artigo é aprofundar a análise sobre a amortização negativa: sua definição, como identificá-la nos cálculos, os fundamentos jurídicos que a tornam ilícita, exemplos práticos de impacto no saldo devedor e a forma correta de recalcular contratos contaminados por essa prática. Também serão abordados precedentes relevantes dos tribunais e a importância da perícia técnica.
1. O que é Amortização?
Amortização é o processo de pagamento gradual de uma dívida, de modo que cada parcela paga seja destinada a duas finalidades:
Nos sistemas mais comuns de amortização (Price e SAC), o objetivo é que ao final do contrato a dívida esteja liquidada. Entretanto, quando a parcela não cobre nem mesmo os juros do período, ocorre a chamada amortização negativa.
2. O que é Amortização Negativa?
A amortização negativa acontece quando o valor da prestação paga é inferior ao valor dos juros do período. Nesse cenário:
Exemplo simples: saldo devedor de R$ 10.000,00 com juros de 5% a.m. gera R$ 500,00 de encargos no mês. Se a parcela paga for R$ 400,00, há um déficit de R$ 100,00 que é acrescido ao saldo devedor. Assim, no mês seguinte, a base de cálculo será R$ 10.100,00, gerando juros ainda maiores.
3. Fórmulas Envolvidas
Cálculo dos juros do período:
J = SD × i
Onde:
J = juros
SD = saldo devedor
i = taxa de juros
Condição da amortização negativa:
Se PMT < J → ocorre amortização negativa.
Exemplo: SD = 50.000, i = 4% a.m., PMT = 1.800.
J = 2.000. Como 1.800 < 2.000, a parcela não cobre os juros e há déficit de 200, incorporado ao saldo devedor.
4. Consequências Econômicas
A amortização negativa gera desequilíbrio insustentável:
Exemplo prático: financiamento de R$ 100.000,00 em 60 meses com taxa de 6% a.m., parcela fixada em R$ 5.000,00.
Esse processo se repete, aumentando continuamente a dívida.
5. Jurisprudência
6. Metodologias de Recalculo
Identificada a amortização negativa, o perito deve recalcular o contrato de forma a expurgar seus efeitos. As metodologias incluem:
Exemplo prático:
No recálculo, ajusta-se a parcela para pelo menos R$ 2.500 + amortização mínima, ou recalcula-se toda a dívida pelo sistema linear, expurgando o anatocismo.
7. Tabela Comparativa
Mês | Saldo Devedor | Juros do Período | Prestação | Amortização | Amortização Negativa |
---|---|---|---|---|---|
1 | 50.000 | 2.500 | 2.000 | 0 | 500 |
2 | 50.500 | 2.525 | 2.000 | 0 | 525 |
3 | 51.025 | 2.551 | 2.000 | 0 | 551 |
Observa-se que a dívida aumenta mês a mês, em vez de reduzir.
8. Por Que a Amortização Negativa Anula Contratos?
A amortização negativa afronta diversos princípios jurídicos:
Por essa razão, tribunais reconhecem a nulidade das cláusulas que resultam em amortização negativa, determinando o recálculo do contrato.
9. Importância da Perícia
A atuação do perito é fundamental para:
10. Conclusão
A amortização negativa é uma prática abusiva que inviabiliza o adimplemento contratual, colocando o consumidor em desvantagem excessiva. Além de gerar anatocismo, compromete a função social do contrato e viola princípios jurídicos fundamentais. Por isso, é causa de nulidade parcial das cláusulas contratuais, exigindo recálculo técnico para expurgar seus efeitos.
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